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Plínio foi surpresa do debate, diz professor de expressão verbal; Dilma 'sobreviveu bem'
Do UOL Eleições
Em São Paulo
Na avaliação do professor de expressão verbal Reinaldo Polito, o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, foi a grande surpresa do debate entre presidenciáveis realizado nessa quinta-feira (05) pela TV Bandeirantes.
Segundo Polito, Sampaio foi 'sempre comunicativo e bastante expressivo', enquanto Marina Silva (PV) mostrou uma melhora em relação às suas apresentações anteriores. José Serra (PSDB) fez, na opinião do professor, um 'esforço enorme' para se mostrar simpático e Dilma Rousseff (PT), apesar de um nervosismo inicial, mostrou mais desenvoltura do meio para o fim do encontro.
Polito diz que o candidato do PSOL teve destaque no debate por dar a impressão de que conversava à vontade com o telespectador, 'na sala de visitas', usando as pausas com perfeição. 'Plínio adota uma atitude curiosa com sua comunicação, substitui a veemência pela ironia. É uma forma positiva de demonstrar sua inteligência e preparo intelectual', afirma.
No entanto, o professor de expressão verbal avalia que Sampaio poderia ter aproveitado sua capacidade de comunicação para cativar os que o identificam como um radical. 'Da maneira como está agindo, terá sempre os mesmos seguidores', diz Polito.
Marina Silva, cujo discurso Polito classificava como 'monótono e cansativo', mudou de postura, na avaliação do professor. A candidata, segundo ele, alternou mais a velocidade da fala e o volume da voz, imprimindo um ritmo mais agradável. 'Um dos maiores progressos foi não fugir com os olhos. Falou olhando com serenidade para a câmera, mantendo assim uma comunicação direta com o telespectador', diz.
O especialista em expressão verbal acredita que Marina, embora ainda adote uma linguagem excessivamente politizada, passou a utilizar termos mais simples e compreensíveis pela maioria das pessoas, o que a favorece.
Quanto à postura de Serra, o que chamou a atenção de Polito foi o sorriso aberto, adotado desde suas primeiras palavras no debate. Segundo o professor, o candidato busca, com esta atitude, afastar a imagem de carrancudo.
Embora considere que o tucano tenha usado a veemência na medida certa, além de ter sido habilidoso em refutar os ataques à gestão FHC, Polito se diz surpreso com o fato de Serra ter errado a direção das lentes da câmera. 'Em vários momentos seus olhos não se dirigiram diretamente aos telespectadores. Olhou um pouco para baixo e para o lado boa parte do tempo', afirma o especialista.
Dilma, na opinião de Polito, tem melhorado a cada apresentação. Ele avalia que, até a metade do debate, a voz embargada da petista demonstrou nervosismo. 'Da metade para a frente, [Dilma] deve ter percebido que o demônio não era tão feio e se comportou com maior desenvoltura', afirma.
A sua crítica fica por conta das pausas. 'Quase sempre em que a pausa é mais prolongada, [Dilma] se apressa em voltar a falar, pronunciando com dificuldade as primeiras palavras. Nesse momento, ao invés de encontrar as palavras para vestir normalmente seus pensamentos, inverte o processo e joga palavras tentando encontrar assim a sequência do raciocínio', diz Polito, que, mesmo assim, acredita que a candidata 'sobreviveu bem' à sua estreia em debates.
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